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Conhecendo o TU - Teatro Universitário

Na UNIMONTES – Universidade Estadual de Montes Claros é ministrado a mais de quinze anos o curso de Arte – Habilitação em Teatro que busca formar profissionais na área de licenciatura. Este curso, que transmite valores culturais na forma de entretenimento, também faz com que o espectador viaje através do tempo, espaço e momento para conhecer e até mesmo viver histórias marcantes, tristes, engraçadas e emocionantes.

Muitos dos acadêmicos que escolhem esta área de atuação enfrentam diversos preconceitos, mas como em todo curso superior, a dedicação e esforço são os pilares para uma boa formação. Alem disso o aluno precisa estar sempre antenado com o que acontece na região, no estado e no país. Em especial no curso de Teatro é preciso que o aluno possa expor seus trabalhos, as peças e roteiros fruto das aulas teóricas e práticas.

Nesse intuito a Unimontes criou o Projeto TU - Teatro Universitário, que pretende ser um espaço onde a teoria, a pratica e a pesquisa teatral se mesclam com primazia para expandir a vivencia teatral do acadêmico. Os principais propósitos desse projeto são: ser um espaço de aprimoramento que pretendem se aprofundar na pratica teatral, reunir pessoas com afinidades profissionais e com interesse em investir na pratica teatral, dar oportunidade aos acadêmicos de outros cursos de cumprir sua carga horária de AACC em um dos grupos do TU, ser um esteio para projetos de pesquisa de professores e acadêmicos e promover o encontro entra academia e comunidade em geral nos diversos segmentos apontados.

Muitos foram os colaboradores na historia do projeto TU – Teatro Universitário como Joba Costa, Geralda Magela, João Baptista Silva e outros. No período de 1995 a 2006 o TU foi coordenado pela professora Terezinha Lígia das Graças Froes (Grupo fibra) e apresentou vários espetáculos entre os quais “SOSlidão” e “O coco do boi Tugão”, que proporcionaram a muitos acadêmicos de diversos cursos a vivencia artística, o desenvolvimento das relações inter pessoais e também a aproximação com legado teatral da humanidade.

Após o ano de 2007 o TU passou por diversas modificações para assumir o perfil de TU – Teatro Universitário/Laboratório de Pesquisa, pratica e performances cênicas. A partir de 2009 passou a ser coordenado pela professora Solange Sarmento e iniciou-se uma reestruturação interna para que com os ajustes necessários possa assumir oficialmente o Grupo Catrumano, o ciclo de leituras dramáticas e favorecer o crescimento da estrutura atual.

Entrevistamos alguns alunos e eles disseram que o projeto TU é importante, mas ressaltam a falta de estrutura do curso de artes já que a universidade não dispõe de um espaço próprio para as praticas teatrais, um laboratório com infra estrutura adequada para ensaio e pequenos espetáculos. A acadêmica Patrícia Maia, do sétimo período de Arte teatro, é presidente do Centro Acadêmico de Artes que nasceu recentemente para atender os cursos de artes, e tem como meta primordial para o curso, a construção de um espaço próprio para os alunos do curso de Artes da Unimontes, tanto de teatro, musica e artes plásticas.

Alunos de Artes/Teatro em sala de aula

Nesse semestre a Unimontes ainda não iniciou os trabalhos do Teatro universitário. As atividades das oficinas para os acadêmicos e a comunidade, o ciclo de leituras, os grupos de experimentação e de dança possivelmente serão iniciadas no segundo semestre deste ano. Assim poderão ser ministradas as aulas do Grupo Catrumano e logo teremos espetáculos fruto do Projeto Teatro Universitário. É prevista também a realização de apresentações durante a “Semana Igor Xavier”.

Aguardem!

Alunos da Unimontes e o Teatro

A equipe do Ensaio Cultural entrevistou Alunos de Artes - Teatro da Unimontes. Eles falaram o significado do teatro em suas vidas, da pouca estrutura da Unimontes, do mercado de trabalho, e o que precisa ser feito para que Montes Claros valorize mais sua arte e seus artistas.

Confira o resultado:



Clique aqui e veja o vídeo direto do YouTube.

Resistindo ao tempo

Entrevista com Terezinha Lígia

Grupo de teatro mais velho de Montes Claros, o Fibra permanece vivo até hoje, mais de 30 anos depois de sua criação.

Nasceu em 1979, numa escola pública de Montes Claros, no norte de Minas. O grupo de teatro Fibra se mantém em atividade até hoje. Foi incluído na FETEMIG – Federação de Teatro de Grupo de Minas Gerais, cadastrado na Secretaria Estadual de Cultura, além de ser Considerado de Utilidade Pública pela lei Municipal nº 2259. O grupo é voltado para a cultura da região e deixa isso bem claro em suas apresentações teatrais. É o caso da peça infantil Brincando de Brincar, que utiliza músicas regionais, cantigas de roda e de ninar. Muita cultura regional também na peça para adultos Vem ver Boi, que mostra a alienação do homem contemporâneo quanto aos seus valores culturais. As duas peças foram apresentadas em um dos mais recentes projetos culturais do Fibra, o Expresso Sertão que, desde 2006, percorre cidades do norte de Minas fazendo apresentações gratuitas em ambientes públicos, permitindo a todos o acesso às artes teatrais.

Terezinha Lígia, licenciada em Artes Plásticas e pós graduada em Arte-Educação, é a criadora e diretora do grupo; e, também, atua como atriz. Depois de tanto tempo, afirma que deu conta do recado e nos relata a sua experiência no grupo de teatro mais velho da principal cidade do norte de Minas.

1 – O grupo Fibra nasceu em uma escola da rede estadual a partir de um trabalho de grupo realizado por você. Qual é essa escola em que o grupo nasceu? Como tudo aconteceu?

Foi na Escola Estadual Professor Alcides Carvalho - Colégio Polivalente, durante experimentos nas aulas de Educação Artística sobre a influência das máquinas no homem contemporâneo. E aí nasceu o espetáculo Máquina maquina, máquina?, que deu origem ao Grupo Fibra.

2 - Como o grupo cresceu?

Sempre buscando aprimorar os conhecimentos a cerca do teatro e sua evolução; através de estudos; participando de mostras, festivais e nos associando a coletivos como MTG - Movimento (Teatro de Grupos de Minas Gerais).

3 - Como surgiu o seu interesse por teatro?

Desde a infância já via e ouvia da minha mãe experiências teatrais realizadas por ela, suas irmãs e amigas no pequeno lugarejo onde viveu, e que atraia os moradores e vizinhança para assistirem as peças que eram realizadas em espaço aberto, pelo puro prazer. Hoje acredito que também pela necessidade de atuar. Tenho forte influência musical herdada também da minha mãe e do meu pai, que era tocador de violão e cavaquinho.

4 - Quais os principais eventos que o Fibra já realizou? Fale um pouco sobre eles?

Vou falar dos mais recentes que são o EXPRESSO SERTÃO, projeto aprovado e captado através da Lei estadual de Incentivo á Cultura de Minas Gerais, que irá para a 4ª edição e que alavancou o Grupo Fibra em termos de estruturação. E o EXPRESSO ALEGRIA, prêmio Estado de Minas Gerais de Artes Cênicas - Cena Minas, que deu continuidade e fortaleceu essa fase.

5 - Fale um pouco sobre o EXPRESSO SERTÃO. Como é promover um evento de incentivo a cultura no Norte de Minas?

Tem sido muito gratificante ter nossos projetos aprovados e captados por empresa do porte da Transnorte. E o próximo terá o patrocínio também de uma grande empresa brasileira que é a V&M do Brasil.

6 - Como os atores do grupo lidam com um evento tão importante?

Com muito otimismo, pois estamos vendo o reconhecimento do nosso trabalho que sempre foi realizado no peito e na raça sem nenhum retorno financeiro e agora estamos recebendo por ele.

7 - Qual foi a melhor fase do grupo? Por quê?

Tivemos muitas fases boas, cada uma com sua especificidade, porém a atual nos dá o gosto de estarmos colhendo os frutos do que plantamos.
8 - Como foi descoberto e trabalhado o seu dom para escrever peças de teatro?

Após uma oficina com o grande teatrólogo João das Neves, fui incentivada a escrever sobre nossas riquezas culturais, quando o questionei onde conseguir bons textos de teatro. Escrevi despreten-siosamente, por necessidade e, para minha surpresa, dois foram premiados em um mesmo concurso de textos teatrais.

9 - Você tem noção de quantas peças já escreveu para o grupo? Quais fizeram mais sucesso? Quais foram os principais motivos?

Já dirigi 15 espetáculos do Grupo Fibra, dos quais seis são textos da minha autoria. Considero Mariazinha e o Lobisomem a peça que lançou o Grupo Fibra e fez muito sucesso; ficou mais de 1 ano em cartaz, o que, naquela época, foi um feito inédito. O de maior sucesso, talvez pela maturidade de acreditarmos no seu potencial e de querer mantê-lo como parte do repertório do grupo e pelo tempo que se encontra em cartaz (desde 2001, já na 3ª versão), é Brincando de Brincar. É um roteiro baseado em músicas de domínio público, que já foi premiado no Festiminas – Festival de Teatro de Minas Gerais, realizado em Betim (1994). Temos viajado muito com esse espetáculo e participado de muitos eventos.

10 - Você gosta de trabalhar com peças para crianças. Qual a importância das peças infantis?

Quando você consegue agradar a criança, trazê-la para a realidade do palco, você está pronto para atuar para qualquer platéia, pois a criança é extremamente exigente e mais honesta que o adulto. Um bom espetáculo para criança estará formando bons espectadores.

11 - Quais são os incentivos e as dificuldades para se fazer teatro?

O incentivo vem da certeza de fazer aquilo de que você gosta e para o qual tem vocação; é melhor pra você mesmo, pois gera equilíbrio. Em Montes Claros, a dificuldade vem do poder público e privado ainda não terem acordado para o verdadeiro valor da cultura na formação do indivíduo.

12 - Como o grupo faz para superar as dificuldades?

Continuamos fazendo.

13 - Quais são os planos para o futuro do grupo?

Estamos organizando o ESPAÇO FIBRA DE CULTURA, no qual estreamos e continuamos a apresentar o espetáculo Vem Ver Boi, para oficinas e exibição de filmes dentre outras atividades que pretendemos desenvolver.

14 - Sobre a Lei de Incentivo a Cultura, o grupo tem dificuldade para conseguir apoio dessa lei? Ela realmente ajuda?

Após aprovar o projeto vem a parte mais difícil que é captar. Mas conseguimos sem grandes dificuldades. A Lei tem nos ajudado bastante; através dos recursos temos estruturado o grupo, inclusive com espaço próprio.

15 - O que está faltando para o teatro de Montes Claros ter mais reconhecimento e valorização?

Mais atenção das autoridades competentes para a criação de políticas culturais.

16 - O que te faz encantar-se pelo teatro?

A magia da transformação de algo que não existe e passa a existir através da verdade cênica. Acreditamos na força da transformação do homem através da arte teatral.

Teatro "pra cutucar"

Apesar de ainda encontrarem algumas dificuldades para realização de espetáculos, como a aceitação do público e patrocínio para maior divulgação das peças, os grupos teatrais de Montes Claros buscam na própria comunidade o incentivo para sua continuação. Um exemplo disso é o Grupo Cutuca, criado em 2008 e formado por alunos do ensino fundamental e médio, além de artistas da comunidade local. A equipe do Ensaio Cultural acompanhou o espetáculo Reginalda, encenado pelo grupo Cutuca, que é dirigido pela professora Lara Araújo. A peça foi apresentada no Centro Cultural Hermes de Paula e contou com a presença de um público basicamente infanto-juvenil, o que demonstra o crescente interesse desse público na cultura que se desenvolve na cidade.

O Grupo inova no cenário artístico montes-clarense com peças contemporâneas que visam aflorar reflexões em seu público, principalmente com temas que vão a fundo sobre o indivíduo como ser pensante na sociedade.

Outra característica marcante do teatro contemporâneo é a mesclagem com outras artes. A utilização de telas e música é um diferencial que torna as apresentações mais interessantes para o público.

O teatro contemporâneo, como nas outras artes, busca a reação do público, e a dramatização de peças desse estilo deixam no ar uma questão a ser pensada, pois o artista é um espelho do indivíduo social e, dessa forma, representa o sentimento deste diante da sociedade em que vive.

Entrevista com Lipa Xavier

No dia 11 de junho, a equipe do Ensaio Cultural entrevistou o secretário adjunto de cultura de Montes Claros, Lipa Xavier. A entrevista aconteceu no Centro Cultural Hermes de Paula e lá Lipa nos falou sobre os projetos da secretaria de cultura após a instituição do Fuminc (Fundo Municipal de Incentivo à Cultura) e benefícios que isto trará para os artistas da cidade. Além disso, o secretário adjunto fez uma análise sobre a situação do teatro na cidade, as dificuldades e evolução da cultura em seus vários aspectos.

Ensaio Cultural - Sobre a lei de incentivo à cultura, como devem proceder os artistas e grupos interessados em ter seus projetos beneficiados?

Lipa Xavier - A lei ainda não está plenamente em funcionamento. O que nós fizemos este ano foi regulamentar a lei que instituiu o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura. Essa lei havia sido aprovada em 2007, porém não havia sido regulamentada. A atual administração regulamentou a lei para que a prefeitura fizesse o repasse anual de 1,5%, ou aproximadamente 140 mil reais, por ano, do IPTU arrecadado no ano anterior, que é o recurso que vai constituir o Fundo. Mas ainda precisamos criar a comissão técnica responsável pela análise de projetos apresentados pelos artistas e grupos. Provavelmente na terceira semana de junho iremos fazer a primeira reunião do conselho municipal de cultura para deliberar sobre tudo isso, pois a conta já está aberta, mas o recurso ainda não entrou. Por isso acreditamos que somente no segundo semestre a lei produzirá efeitos práticos. Vai ser publicado um edital para que todos os artistas tenham conhecimento, e só após isso, apresentem os projetos para que a comissão técnica analise. Aqueles que forem aprovados irão ser submetidos ao conselho que deliberará o percentual de financiamento, pois no caso de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sem fins lucrativos o financiamento poderá ser de até 100%, e no caso de pessoas jurídicas com finalidade lucrativa, ou seja, espetáculos que cobrarem ingressos, o financiamento poderá ser de até 80%.

Ensaio Cultural - E quem serão os integrantes dessa comissão técnica para análise dos projetos? Existe alguma dificuldade para a constituição desse conselho?

Lipa Xavier - A própria lei que criou o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura sugere que a comissão seja formada tanto quanto possível por pessoas que sejam especialistas e representem as várias áreas que o Fundo irá cobrir, como por exemplo artes cênicas, cinema, música e patrimônio histórico. E a dificuldade que estamos tendo é de encontrar pessoas que sejam especialistas em cada uma dessas áreas, pois em algumas áreas nós temos e em outras não. Por isso a comissão ainda não se constituiu, mas após a primeira reunião do conselho daremos o primeiro passo para a resolução dessa questão.

Ensaio Cultural - Uma empresa privada que queira contribuir com a cultura municipal, só poderá fazer isso por intermédio da lei de incentivo à cultura?

Lipa Xavier - O Fundo de incentivo à Cultura (Fuminc) não é a única forma de capitalizar recursos para se investir em cultura, visto que é uma forma obrigatória prevista por lei, mas além disso o fundo pode buscar outras fontes de recurso no município, fora do município, em outros estados e até mesmo em outros países com doações de entidades e empresas, desde que seja tudo legalmente declarado. A empresa que quiser ajudar pode fazer uma doação para o Fuminc e assim ter uma redução no imposto de renda; além disso poderá patrocinar produções culturais contactando diretamente os grupos e artistas.

Ensaio Cultural - Passado mais de um ano com a atual administração à frente da prefeitura, como você avalia o desenvolvimento dos projetos culturais na cidade?

Lipa Xavier - Eu acho, penso e vejo a partir do contato com as pessoas que fazem cultura em Montes Claros, que a administração atual inovou a gestão da cultura municipal. Pois, primeiro deu a funcionalidade à lei do incentivo à cultura, que é um grande passo para a construção de uma política pública para esse setor, além da criação do Conselho Municipal de Cultura, que democratiza as decisões e faz com que elas saiam do âmbito restrito da secretaria de cultura e da prefeitura e passe a ser fruto de uma discussão com a sociedade no conselho. Em questão de projetos, a administração e a secretaria têm procurado democratizar através da descentralização, levando projetos culturais para a zona rural e prospectando artistas da própria comunidade para que eles se apresentem para suas respectivas comunidades .

Ensaio Cultural - No caso específico de espetáculos teatrais, de que forma acontecerá essa descentralização, já que o espaço mais adequado para as apresentações é o Centro Cultural Hermes de Paula?

Lipa Xavier - A questão de espaços para apresentações teatrais é uma grande carência da nossa cidade, visto que temos uma forte tradição na área do teatro, com a existência de vários grupos e uma associação que reúne esses grupos. Tecnicamente não existe um teatro para apresentação de espetáculos, afinal o próprio Centro Cultural é na verdade um auditório que foi adaptado para apresentações teatrais, mas que não tem a estrutura que é necessária para isso. Existe um projeto para a construção de um teatro em Montes Claros, incluído até mesmo dentro de um centro de convenções. Esse teatro provavelmente comportaria até setecentas pessoas. Entretanto, a secretaria de cultura não é executora disso, e sim outras secretarias, que dependem de outros recursos que não os do município. Esperamos sinceramente que isso possa ser feito, pois assim estaremos dotando a cidade de palcos e espaços que permitiriam fazer uma quantidade maior de produções teatrais e também levar um público que hoje não tem acesso ao Centro Cultural.

Ensaio Cultural - Em entrevistas anteriores com pessoas ligadas ao teatro em Montes Claros, tanto grupos quanto estudantes de Artes - Teatro da Unimontes, percebeu-se a semelhança do discurso quanto a falta de um espaço apropriado para apresentações teatrais. De que forma a secretaria se coloca diante dessas reivindicações?

Lipa Xavier - A secretaria entende perfeitamente esse sentimento das pessoas que são ligadas ao mundo da arte. Nós compreendemos e compartilhamos esse sentimento, pois percebemos que a carência de espaços é uma barreira que atrapalha. Afinal, quando está acontecendo um espetáculo no Centro Cultural, somente ele poderá ser visto naquele momento, ou seja, se tivéssemos outros espaços, outras atividades culturais poderiam acontecer simultaneamente, pois a cidade tem público para isso. Dessa forma, reside nos projetos em tramitação e nos aprovados, boa parte da nossa esperança.

Ensaio Cultural - No início do mês de junho, a Câmara Municipal aprovou a ampliação da verba para o time de vôlei de Montes Claros em
900 mil reais. Quanto a isso, você considera que o apoio da iniciativa privada e também da prefeitura à secretária de esportes sobressaiu-se às outras secretarias que necessitam de maior investimento, como a secretaria de cultura?

Lipa Xavier - Quanto a ampliação da verba para o time de vôlei, eu não acompanhei a discussão na Câmara, por isso não tenho base para opinar sobre isso. Até porque é uma questão ligada à secretaria de esporte e lazer. Entretanto, eu penso que o investimento em uma área, não necessariamente vai deixar outra área descoberta, desde que essa aplicação seja feita respeitando os parâmetros legais e tendo a compreensão de que todos os setores são igualmente importantes. Além disso, existe o projeto, o qual tive participação, de ampliação da Lei Rouanet, que prevê repasse mínimo de 1% de verba da união e 1,5% do município para investimentos culturais. Essas porcentagens parecem poucas, mas isso ampliaria enormemente os recursos para a cultura.

O cenário cômico recebe o stand up

Com o surgimento das peças dramáticas na Grécia antiga, o teatro passou a ser uma forma de manifestação social. Com roteiros voltados para a educação e para a crítica política, essa arte começou a transmitir um valor cultural aos cidadãos e, também, transformou-se numa forma de diversão a todos.

Hoje, há vários gêneros teatrais que vão crescendo de acordo com o interesse do público que “consome” essa arte. Mesmo que o público se interesse pelo que está na mídia, muitas pessoas buscam grupos e artistas que abordem os temas sociais e cotidianos de forma mais simples e cativante.

Dessa forma, no cenário cômico mundial, e principalmente brasileiro, está em foco atualmente o stand up comedy. A expressão em inglês – que indica o humor feito por um comediante sozinho, em pé no palco sem o auxílio de jogos de cena –, define uma modalidade cômica que vem sendo reinventada pelos novos comediantes, muitos deles jovens, que se dedicam à arte de fazer as pessoas rirem. O stand up comedian, também conhecido como humorista de cara limpa, tem como armas apenas o microfone e o conhecimento de mundo obtido através da observação do cotidiano e, por isso, o sucesso do espetáculo depende da abordagem que ele faz dos temas que escolhe para compor sua apresentação.

Muitos atores de sucesso no cinema e TV, como Jim Carrey, Whoopy Goldberg, Billy Cristal, Bill Cosby, Richard Pryor, Ray Romano, Dana Carvey, Robin Williams e Eddie Murphy, tiveram o mesmo começo promissor na arte de falar besteira em público. No Brasil, o stand up surgiu em 1970, na forma de one man show, que permitia a incorporação de músicas e personagens. O pioneiro foi José Vasconcelos, logo seguido por Jô Soares e Chico Anísio. Hoje, a nova geração inclui Fernando Ceylão, Bruno Motta, Rafinha Bastos, Oscar Filho, Danilo Gentili, entre outros.

Na região norte-mineira, os humoristas Dú Novaes e Fernando Coelho estrelam um espetáculo genuinamente montesclarense, transformam em piada o comportamento de figuras já conhecidas do dia-a-dia do brasileiro, através de um humor caricato, tentando se aproximar do stand up. Apesar dessa contextualização dos personagens da comédia e da qualidade do trabalho dos artistas, o espetáculo da dupla não se classifica estritamente como stand up por que não apresenta características primordiais do gênero, como a ausência de suporte sonoro e figurino, se apresentar sozinho e não representar personagens. Já experientes no teatro cômico, esses dois artistas, fogem do humor de anedotas e abordam de forma bem característica e versátil, temas como futebol, política, casamento, etc. A maioria das pessoas que assistiram o espetáculo elogiaram o trabalho da dupla e diz sentir falta de mais incentivos ao teatro e à comédia na região, principalmente aos artistas locais.

O público montesclarense espera que o trabalho “Humor de quinta com qualidade de primeira” seja apenas o primeiro de muitos outros espetáculos de comédia na cidade, pois o teatro humorístico ganha valor através da qualidade dos profissionais garantindo sucesso junto ao público que o aprecia.

Constata-se que em Montes Claros, assim como em todo pais, o interesse pelo standu up é grande, mas perde no quesito quantidade. Enquanto em São Paulo, por exemplo, há o Clube da Comédia Stand Up e inúmeros outros artistas da modalidade, bem como diversos espetáculos periódicos, aqui há poucas manifestações da arte cômica. O projeto Quinta do Humor, do produtor André Carvalho, busca promover um círculo de eventos e espetáculos que é composto por um humor contextualizado e também regional.

Assim, será possível reeducar o público de massa da região de Montes Claros a apreciar o trabalho dos artistas regionais que vem se dedicando intensamente ao aprimoramento do seu talento e precisam de espaço para expor seus trabalhos tanto do gênero dramático quanto no stand up, proporcionando uma vasta programação cultural ao alcance de todos.

Luz, câmera e união em ação!

Em entrevista para a equipe do Ensaio Cultural, o diretor da AARTED (Associação de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão), Willian Ferreira, nos falou um pouco sobre sua visão diante da evolução do teatro em Montes Claros, já que está envolvido diretamente nessa questão. Willian é diretor e ator do grupo Grande Palco, além de dirigir a AARTED, uma associação de artistas que busca fortalecer e unir cada vez mais a cultura regional.

A AARTED tem como associados grupos de variados seguimentos artísticos, porém, nos últimos anos vem focando seus trabalhos nos espetáculos teatrais. Apesar de existirem aproximadamente trinta grupos teatrais na cidade, apenas dezenove são associados a AARTED, o que é uma barreira na democratização da cultura, pois muitos desses grupos são de regiões periféricas ou escolas. As reuniões da associação acontecem semanalmente e abordam questões como o desenvolvimento do teatro nas comunidades e a produção de cada grupo.

Para Willian, existe ainda uma relação benéfica e interativa entre a AARTED e o curso de Artes Cênicas da Unimontes, pois personagens importantes para a criação da associação são professores do curso, como é o caso de Terezinha Narciso, que foi a primeira presidente e contribuiu ativamente para o desenvolvimento das primeiras mostras teatrais na cidade.

A mostra de teatro em Montes Claros foi criada antes mesmo da existência da associação de artistas, e desde 2002 acontece com um sucesso crescente entre o público norte mineiro. Já na 9º edição, a mostra vai contar com espetáculos inéditos, o que se tornou uma forma de seleção, pois nem todos os grupos estavam preparados, como revela Willian. As apresentações irão começar a partir de 1º de julho e terão fim em 1º de agosto; enquanto não começam, os grupos se preparam e o público fica na expectativa!

Willian, que também é integrante do grupo Grande Palco, nos falou sobre outra expectativa, na verdade uma esperança, que os artistas norte mineiros têm de desenvolver seu trabalho com mais facilidade, que é o Fundo Municipal de Investimento a Cultura (FUMINC). Para Willian, os grupos tendem a realizar trabalhos cada vez melhores, mas a realidade não será tão diferente quanto as dificuldades que os grupos ainda irão encontrar, pois muitos artistas e grupos questionam o valor repassado para este investimento, que provavelmente não será suficiente para amparar de forma eficiente os projetos culturais na cidade.

Os artistas de regiões mais carentes, como o sertão norte mineiro, enfrentam uma dificuldade em comum: a captação de patrocínio. E “correr atrás”, em meio a valorização de eventos comerciais como feiras agropecuárias e micaretas, é um grande desafio. O investimento em cultura por parte de empresas reconhecidas ainda não é comum em nossa cidade, mas os grupos teatrais se unem para vencer mais essa barreira, como diz o diretor da AARTED:

“Às vezes o espetáculo sai a um determinado valor e você tem que 'correr atrás' de patrocínio. A associação tenta cada vez mais 'clarear' dentre seus membros essa questão de como buscar patrocínio, porque é muita dificuldade de se conseguir um valor para se produzir um espetáculo de qualidade.”


E é assim que a união entre os grupos artísticos vem clareando o cenário cultural norte mineiro, deixando cada vez mais visível o interesse do público, não só em teatro, mas em outros seguimentos artísticos.